Em nome da isonomia
Tô meio sem tempo para escrever agora , mas não quero deixar de registrar o que me ocorreu enquanto eu vinha para cá (aliás, a quantidade de idéias que ocorrem quando eu estou no trânsito é incrível, quase insuportável – não dá para anotar nada quando se está de moto). Não é nada de mais; vou blogar para tirar da cabeça.
Com essa determinação de proibir quase tudo na internet a pretexto de garantir a isonomia entre os candidatos, é como se o tribunal eleitoral dissesse: “A partir de hoje, está proibido andar a pé. Quem quiser, que se desloque de carro. E veículo próprio – nada de pegar ônibus, carona...”
Na prática, é bem por aí. Aquilo que é barato ou grátis e acessível para qualquer um está vedado. Mas quem tiver grana para bancar uma página própria que suporte uma carga “pesada” (para, por exemplo, hospedar vídeos, em vez de deixá-los disponíveis no You Tube) pode fazer o que quiser.
Muito justo.
Escrito por Soninha às 11h59
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Enquanto isso, na Globo...
Não vou falar mal não – foram três coisas legais.
No domingo retrasado, o Esporte Espetacular mostrou uma entrevista com o Parreira em que ele foi muito franco e destemido. Fez críticas a jogadores, reclamou das autoridades do futebol, abandonou a velha diplomacia insossa e inútil para falar abertamente de nossos problemas. Algumas coisas já tinham sido admitidas antes – como o fato, antes negado com tanta veemência, de haver jogadores escandalosamente acima do peso na Copa do Mundo. (E pensar que falar nisso durante a Copa parecia crime de lesa-pátria...)
Neste último domingo, eles fizeram quase um curta-metragem com o Sócrates. A história dele desde os tempos de estudante de medicina e jogador do Botafogo de Ribeirão (cheio de “privilégios” no time, como ele admite dando risada – “eu treinava quando queria, jogava quando podia...”); os desafios da democracia corintiana (em uma época em que dizer a palavra democracia era subversão); a Copa de 82; a campanha por eleições diretas... Tudo entremeado por imagens inacreditáveis de jogadas do Doutor e depoimentos contundentes (o que, no caso dele, não chega a ser surpresa). Será que tem no You Tube? Eu recomendo enfaticamente.
E ontem (terça) de manhã, na Ana Maria Braga (que eu nunca vejo, mas calhou de a TV ficar ligada na Globo depois do Bom Dia Brasil), passou uma reportagem maravilhosa sobre população “de rua”. Uma repórter excelente, que eu acho que veio daquela turma do Caco Barcelos (aliás, adoro Profissão Repórter), saiu em busca de pessoas que ela já tinha conhecido e entrevistado no ano passado, e reencontrou algumas delas. Com muita sensibilidade, muita habilidade, sem nenhum ar de superioridade ou receio, ela entra nos mocós e conversa com as pessoas de modo absolutamente respeitoso, genuinamente curioso e interessado. E elas revelam seus nomes, suas histórias, seus sonhos. Como o homem que cozinha (bem, ao que parece) em um fogareiro no viaduto do albergue Pedroso; que está satisfeito porque está trabalhando (acho que é ambulante), se diz feliz (“cada dia, mais”) e repete em 2008 o que tinha dito em 2007: que gostaria de ter uma casa não só para ele, mas para “todo o pessoal” morar. Um encanto. Outra mora em sua carroça com os cachorros. Outro é poeta. Sem falar no câmera da equipe, que virou repórter por alguns instantes e recordou o tempo em que ele também viveu na rua. Incrível.
*** Para concluir, um bom momento de outra emissora, a Record: Roberto Cabrini foi a um campo de refugiados no Congo. Descreveu as guerras civis e massacres da região, conheceu as pessoas, deixou-se levar pelas crianças até o lugar esfarrapado que elas chamam de “minha casa”.
E não é que a TV aberta tem seus bons momentos? Como diria minha tia-avó, “benza Deus”.
***
Por falar em “benza Deus”: Quitéria está internada, aleluia. Em um quarto com duas ou três outras senhorinhas, aguardando cirurgias também. A dela deve acontecer na próxima segunda-feira. Ontem à noite, me ligou feliz: “Estão cuidando da minha dor”. Agora só sente falta de uma televisãozinha para se distrair.
Escrito por Soninha às 00h43
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A caminho da campanha secreta
Cada vez mais, o tribunal eleitoral entende que é feio fazer campanha, apresentar os candidatos, pedir voto...
Arrecadar recursos, então, é horroroso! Cruz-credo!
Queremos fazer uma campanha para a qual as pessoas possam contribuir voluntariamente, com qualquer valor – 5, dez, quinze ou vinte reais... Beleza. Mas receber doações é complicadíssimo. Tem de ter recibo preenchido por extenso com nome, RG, CPF, assinatura... “SPC do CIC”, como dizia o Renato Aragão.
Já que não pode distribuir brindes – entendo; é um jeito clássico de comprar voto (“te dou um boné pra você votar em mim”) – pensamos em vender camisetas, por exemplo. Teria uma dupla utilidade: arrecadar dinheiro e divulgar a candidatura.
Fomos lá consultar a regra. Que é clara... (Pra ver como clareza não é tudo!)
RESOLUÇÃO Nº 22.718, de 28/2/2008, que trata da Propaganda Eleitoral
Art. 12. É assegurado aos partidos políticos o direito de...
III – comercializar material de divulgação institucional, desde que não contenha nome e número de candidato, bem como cargo em disputa.
Incrível! Talvez a gente possa fazer algo do tipo “Fumar faz mal à saúde e causa dependência”; “Assista “O Homem que Virou Suco”, de João Batista de Andrade”; “Não perca o horário eleitoral gratuito” – sem bem que essa já é mais arriscada....
E se for assim, será que pode?

Escrito por Soninha às 15h07
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Quitéria em tempo (quase) real
Hoje às seis e pouco da manhã Quitéria pegou um táxi (com que dinheiro?) e foi para o hospital Brigadeiro.
Chegando lá, foi avisada: “Não sei se vai dar para antecipar sua consulta hoje... Vamos ver. Talvez tenha que tentar encaixar em algum outro dia”. O marido dela, a essa altura dolorido também, no fundo da alma, me ligou para avisar: “Vou ficar no corredor esperando o médico passar!”
Dali a pouco, me liga a Quitéria, com voz trêmula: “O médico disse que vai marcar já a minha cirurgia. Eu tô com medo!”. “Quitéria do céu, é o que a gente mais queria... Fica tranqüila, o que não dá é pra ficar com essa dor”. “Ele disse que tem caroço no rim, na vesícula...”. “Então, tem de operar. Chega de dor. E vê aí se você pode ficar internada até a operação. Diz pra ele que você vai TODO DIA no pronto-socorro morrendo de dor”.
Mais meia hora se passa. “Soninha, ele marcou a cirurgia para dia 30”. “Trinta agora??”. “Não, de AGOSTO! E disse que eu tenho caroço também no seio. Falou que eu não posso ficar no hospital porque tem muito risco de infecção. E falou que a dor, o jeito é ir no médico, tomar remédio, tomar remédio na veia...”.
Isso, isso mesmo. Eles mandaram ela de volta para casa, porque no hospital “tem risco de infecção”. No casebre em que ela mora, com um banheiro para sete pessoas, não deve ter não. Com um tanque pra lavar a roupa de todo mundo. E a dor? Ora, é só continuar pegando táxi todo dia até o pronto-socorro, ficando na fila, tomando um remédio aqui e outro ali...
Minha vontade é baixar no hospital com a SWAT, a OAB, a Anistia Internacional, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a Secretaria Especial dos Direitos das Mulheres, a Cúria Metropolitana, o MST, o Cansei, as Farc, a Cruz Vermelha, o Crescente Vermelho, tudo. Me amarrar no poste, chamar a TV, subir no telhado com uma bandeira pedindo socorro, fazer uma corrente humana de joelhos em volta do hospital, implorar: cuidem dessa mulher como se ela fosse alguém da sua família. Como se ela fosse gente. Tentem imaginar, se for difícil acreditar que ela seja mesmo.
***
Enquanto escrevia, recebi uma ligação. O médico que pediu “marquem agora a cirurgia” não sabia que tinha sido marcada para 30/08. Disse que não pode ser assim e vai tentar interferir para antecipar (ele não manda na agenda do centro cirúrgico). Suspendam a SWAT por enquanto.
Escrito por Soninha às 09h28
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As últimas sobre a Quitéria
[A história começa dois posts abaixo]
No sábado de manhã, soube detalhes da consulta dela no pronto-atendimento do Pérola.
Chegou lá varada de dor, como é comum. Pagou R$70,00 de táxi da Brasilândia até lá (com que dinheiro?). A pessoa que atendeu olhou o laudo do ultra-som e disse: “Ah, por esse exame não dá para saber o que você tem, sua condição intestinal [não vou entrar em detahes, mas acho que já deu para entender] não permite enxergar a vesícula, não dá para ter certeza quanto ao apêndice...”. Tomou o procedimento adequado para melhorar a condição intestinal, deu um remédio para dor e... Mandou embora para casa, claro. O que só era possível de táxi, lógico (com que dinheiro?).
Não, ela não ficou em repouso, nem ao menos até a hora em que os ônibus voltar a circular. Não ficou em observação. Não fez outro ultra-som imediatamente, ou no dia seguinte, para tentar enxergar direito o que ela tem. “Volta na segunda-feira e procura o seu médico”. Assim, “volta na segunda”, como se ela tivesse passado na banca de jornal para saber se já chegou a revista da semana.
O remédio que precisava comprar na farmácia custava R$38,00.
No próprio sábado, passou o dia com dor (ah, vá). Que ficou insuportável no começo da noite. In-su-por-tá-vel. Foi ao hospital Penteado, que é o mais próximo. Foi informada, como da última vez, que não havia clínico geral no Plantão. Não quis voltar ao PS da João Paulo (onde tinha recebido o encaminhamento para um ultra-som na semana passada); foi (de táxi) ao hospital de Pirituba. Deram um anestésico na veia e mandaram de volta para casa. Felizmente, “desmaiou”, como ela disse – dormiu até agora há pouco.
Acordou com dor. De tanto tomar remédio, passa mal, enjoa, vomita. O marido fez a feira (com que dinheiro?) e comprou frutas e verduras para que o intestino funcione melhor, mas ela mal consegue comer.
Mesmo assim, me ligou (a cobrar, como sempre) bem humorada (!!!). Disse que é melhor eu fazer logo um seguro de vida em nome dela – ouviu dizer que “paga 9 reais por mês, e no fim quando eu morrer você recebe 31 mil. Assim eu não te dou só prejuízo!”, disse, dando risada. “Não quero 31 mil, quero minha filha viva!” (Ela tem a minha idade, mas brinca que eu sou a mãe que ela não tem mais - morreu há uns dois anos). Queixou-se da dor: “Toma o remédio direito, faz massagem, faz compressa, que nem a gente faz em nenê com cólica”.
Dali a pouco, ligou de novo: “Soninha, você não acredita. Eu saí da cama pra ficar um pouco no sol. Sentei no quintal, escorreguei lá de cima e vim parar aqui em baixo!”. E ria, ria da própria desgraça. Quando não tem dor, ela tem prazer com muito pouco – quando não está agoniada com o sofrimento dos outros. “Quitéria, você tem de maneirar, senão, quando eu fizer o filme da sua vida, ninguém vai acreditar! Vão dizer que é mentira! E não vai me arrumar problema quebrando a perna!”. Ela ria, e ria... “Tô toda suja de barro!” (a casa dela fica em uma pirambeira de dar medo. Certa vez, foi resgatada pelos bombeiros, que fizeram rapel para descer a maca. Não dava para carregar até a rua). “Bom, pelo menos agora que a bunda tá doendo, você esquece a dor de barriga!”. Ela riu mais um pouco, pediu ajuda para retirar os galhos de árvore que largaram na frente da casa dela (se bobear, a própria Subprefeitura, que acho que foi quem cortou um pinheiro que estava despencando e ameaçando arrastar a casa junto) e disse que amanhã às sete já quer estar no Brigadeiro para tentar falar com seu médico.
Não consigo encerrar este texto de outra maneira. Minha impotência em relação a ela – que foi um dos motivos fortíssimos a me empurrar para a candidatura a vereadora, porque eu estava crente que na Câmara conseguiria fazer muito por gente assim, e na verdade a impotência foi só um pouco menor – me leva a uma frase comodamente esperançosa, dita como interjeição automática: “Seja o que Deus quiser”.
Escrito por Soninha às 14h00
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"Você não foi...? Então vá, então vá" (Lenine)
Antes de qualquer outra coisa: não tem nada para fazer hoje? Ou no fim-de-semana que vem? Tem ao menos meio período livre? VÁ ao Festival de Inverno de Paranapiacaba. Tem gente que fica incomodada com esses imperativos dos cadernos de cultura: “Vá”, “veja”, “leia”, “fuja”. Azar. É imperativo mesmo!
Estive lá ontem. Não fazia muito tempo que tinha estado na vila, que desde 2002 pertence a Santo André. Na última visita, fiquei bem impressionada com a recuperação do lugar – a antepenúltima ida, muitos anos atrás, tinha sido deprimente, com tudo maltratado, caindo aos pedaços. Desta vez, fiquei com a impressão que houve novos progressos nos últimos meses (mesmo descontando o “trato” que deve ter havido especialmente para o festival). (Não posso deixar de dizer – ponto para a administração municipal, que é do PT. Quando ainda estava no partido, revoltada ou envergonhada com algumas de suas posturas, respirava aliviada ao ver ações que ainda eram motivo de orgulho).
As casas, museus e estabelecimentos comerciais estão bem conservados e sinalizados; as ruas, bem cuidadas. Estava uma tarde linda, fria e ensolarada; à noite, uma lua estupidamente bela. A neblina de Paranapiacaba é famosa, mas não deu o ar da graça neste fim-de-semana.
***
A programação do festival é uma delícia. Fui com amigos (9) + uma filha (a caçula) para o show do Lenine, às cinco da tarde. Quase não consigo entrar – desde o meio-dia havia gente na fila para pegar ingressos (grátis). Muita gente ficou de fora; no fim, acho que todos conseguiram entrar (tomara! – apesar dos ingressos teoricamente esgotados, havia espaço de sobra para entrarem os que estavam na porta).
(Pensei que tínhamos perdido o show da Marina de La Riva por estarmos atrasados; depois soubemos que ele foi cancelado, não cheguei a saber por quê).
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Chegar a Paranapiacaba é muito fácil: Anchieta até a Billings, aí é só seguir as placas. Só tem um probleminha: a primeira vez em que aparece o nome “Paranapiacaba” aparece em uma placa é quando você já saiu da Anchieta e está prestes a passar por baixo da estrada. Antes disso, nada. Nenhuma referência. Aparecem São Bernardo, Rudge Ramos, Diadema, Taboão, Santo André, Riacho Grande, Santos, tudo – menos Paranapiacaba, que é uma super atração turística (ê, Brasil...). Então às vezes você fica na dúvida – “fico na pista externa ou interna da Anchieta?”. Eu mudei duas vezes à toa... No fim, tanto faz. São 21 km de Anchieta (vi agora no Google Maps).
(Olhando no jornal do Festival, achei outra explicação de como chegar: “Anchieta até km 29 (placa para Ribeirão Pires), entrar na SP 148 (Estrada Velha de Santos) até o km 33 e pegar a Rodovia Índio Tibiriçá (SP 31) até o km 45,5. Daí pegar a SP 122 até Paranapiacaba”. Mas, como eu disse, depois de sair da Anchieta tem placa. O problema é a volta: chega uma hora em que não há nenhum sinal indicando “São Paulo”. Você tem de escolher, sei lá, entre “São Bernardo” e “Ribeirão Pires”. Da outra vez, escolhi errado e fui por dentro das cidades, em vez de pegar a Anchieta – e só por causa desse vacilo anterior fiz o caminho certo desta vez).
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Também dá para ir de trem da Luz até Rio Grande da Serra e pegar um ônibus até a Vila de Paranapiacaba – de meia em meia hora nos fins-de-semana.
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Chegando de carro, há um bolsão de estacionamento (R$10,00) e um ônibus para translado até a vila. Tudo muito bem orientado, organizado e ágil. Aliás, uma das bênçãos do lugar é o fato de carros não circularem livremente por ali. São ladeiras muito íngremes de paralelepípedo, casas muito antigas, ruas estreitas. Carros destruiriam a paisagem.
O trem que é a razão de ser da vila (ela foi criada para abrigar funcionários da São Paulo Railway) foi abandonado anos atrás. Fiquei sabendo lá, pela Subprefeita, que será reativada uma linha turística ainda este ano, operada pela CPTM. Aleluia.
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Além dos shows “grandes” no Espaço Viradouro, como o do Lenine (hoje tem Zeca Baleiro às 18:00), há uma série de outros palcos e espaços com apresentações musicais, teatro, cinema, dança, etc. À noite, antes de virmos embora (queria ter ficado para o show “Agô – Cantos Sagrados Brasil e Cuba”, com Sapopemba (brasileiros), Liena Centeno (cubana) e os Heartbreakers, mas não agüentei o cansaço) comemos sopa no pão italiano (a minha, de batata, estava divina) ouvindo a apresentação da Mariane Mattoso e grupo Zambelô no Palco do Mercado (divina também).
***
Resumindo: vai lá, vai? De carro ou de trem, de bicicleta se for atleta, de dia ou à noite... Leve dinheiro trocado (não tem caixa eletrônico e nem todo lugar aceita cheque ou cartão), leve a fome e os amigos, traga fotos, folhetos e peças de artesanato. Com tempo, percorra as trilhas e visite os museus. Duvido que você não goste do passeio por esse lugar que já é tombado como patrimônio histórico, cultural e ambiental do município, do estado e do país (os Conselhos de Patrimônio das três esferas assim o reconhecem) e agora aspira ao reconhecimento, pela Unesco, de que é patrimônio da humanidade.
O Festival termina no fim-de-semana que vem. No sábado tem Otto; no domingo, Scott Henderson Trio. Precisa retirar ingressos com no máximo duas horas de antecedência. Mas acredite em mim: se não der para entrar e ver esses shows, você não vai perder a viagem (porque há muitas outras coisas para ver e fazer – nem que seja só subir e descer ladeira, sentar ao sol, ficar olhando o movimento). Não esqueça a máquina fotográfica com bateria e memória suficiente e um agasalho – mesmo com sol, faz um friozinho bom.
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Se eu não fiz campanha? Não muita. Distribuí uns poucos folhetos (acabaram logo), e quando alguém dizia: “Soninha? Votei em você!”, eu respondia: “Ôba, obrigada, não quer votar de novo?” :o)
Escrito por Soninha às 13h30
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Crônica do sofrimento interminável
Uns dois ou três anos atrás, Quitéria foi operada de um mioma.
24 horas depois da cirurgia, se tanto, teve alta. Ainda estava muito debilitada, sentindo dor. Não tinha nem como ir embora.
No dia seguinte voltou ao hospital de ambulância, com uma hemorragia horrorosa.
Não era o começo (há séculos esperava pela cirurgia) nem o fim de seu calvário (ainda faltava sofrer muito).
Quitéria entra e sai de hospitais e pronto-socorros com a mesma freqüência com que outros vão ao supermercado ou à padaria.
Tem dois caroços enormes e doloridos nos ovários. Ninguém sabe o que é – seqüela da operação? Tumores benignos? Tumores malignos? Sem ter certeza do diagnóstico, chegaram a receitar quimioterapia. Por duas semanas, como se não bastasse o resto, ainda passou por esse sofrimento inútil – enjôo, fraqueza, falta de apetite. Tristeza, prostração.
Também como efeito colateral da cirurgia mal arrematada, tem incontinência urinária.
Mora em uma casa que seria candidata imbatível ao “Extreme Makeover”, programa de TV em que uma edificação mais ou menos feia vai ao chão e a equipe constrói algo lindo no lugar.
Teve dez filhos; seis estão vivos. Um já saiu de casa e tem um filho pequeno. Os outros cinco moram com ela. A renda da família é incertíssima – o marido faz bicos como ajudante de tudo (pedreiro, encanador, eletricista). O segundo filho trabalha em um bar, deve ganhar um salário mínimo. Mal conseguem pagar a conta de luz, que dirá o estoque de fraldas para adultos. Os remédios caros.
E os muitos táxis que Quitéria tem de pegar a toda hora para ir ao pronto-socorro.
Com dor lancinante, mal-estar profundo, depressão, convulsões.
Nas últimas semanas, deve ter procurado atendimento de emergência bem umas dez vezes. Fora as consultas e exames. Vive para lá e para cá, em uma romaria sem fim. Já passou por sabe lá quantos médicos, quantas máquinas.
Esteve para ser operada inúmeras vezes. Jejum, internação de véspera, preparação para a cirurgia e... Nada. Voltou da sala de espera, do quarto ou mesmo do centro cirúrgico. Porque perderam seu prontuário médico (mais de uma vez); porque tinha um problema de pele (há meses) e não poderia tomar a injeção da anestesia (e só viram na hora de fazer a cirurgia); porque estava com a pressão muito alta e não resistiria.
O remédio para o problema de pele? Não, claro que eles não forneceram. Ela teve de comprar. Com que dinheiro?
Nos últimos tempos, Quitéria passou a ter um pequeno agravante de sua condição: AVCs. Já foram vários. Chega ao hospital torta, travada, semi-paralisada, virando os olhos, enrolando a língua, tendo espasmos. Medicam e mandam embora para casa.
Nunca chega a passar uma noite no hospital (a não ser em um daqueles dias em que esperava ser operada). Mandam embora, e ela que pague um táxi (com que dinheiro?).
Quando tem dor-de-dente, inflamação, nevralgia, Quitéria procura um dentista (com que dinheiro?) que consiga aliviar a dor. Não adianta – sabendo de sua condição, da pressão altíssima, têm medo de dar anestesia e ela passar mal. É outro tormento.
O único alívio da vida dela nos últimos tempos é a acupuntura. Com ela, já conseguiu mexer o braço e abrir a mão que ficaram travados nos AVCs.
Há cerca de dois meses, Quitéria tem se consultado com médicos de dois outros hospitais. Teve muita esperança de ser operada, finalmente. Mas esta semana ouviu de uma médica que a bexiga não tem mais jeito – não adianta nem operar. A incontinência será permanente. Talvez ela possa tomar um remédio que melhore a situação, se o cardiologista autorizar. Não, o remédio não é distribuído, teria de ser comprado.
Com que dinheiro?
Na semana passada, não suportando a dor abdominal, Quitéria foi, pela milionésima vez, a um hospital. Não havia médico, foi o que disseram. Procurou um pronto-socorro.
Foi medicada – analgésico, anti-inflamatório – e dispensada. O rapaz deu um encaminhamento para fazer um ultra-som. “Talvez seja vesícula”. Acho que foi na sexta.
O fim-de-semana transcorreu, é claro, com muita dor. Dor, desalento, desespero, tristeza. Na consulta com a médica que a desenganou quanto à cirurgia da bexiga, falou da dor e do pedido de ultra-som. “Ah, você tem de ir a uma UBS marcar um clínico para ele pedir um exame”. Sim, ela estava em um equipamento de saúde diante de uma médica, e recebeu a orientação para “procurar-uma-UBS-marcar-um-médico” etc.
Quitéria continuou com dor. Felizmente, teve acupuntura hoje de manhã. Sabendo do ocorrido no fim da semana passada, a acupunturista não teve dúvida, a encaminhou imediatamente para o tal do ultra-som.
O exame ficou pronto. Alguém do hospital olhou e disse: “Não sei, pode ser apendicite”. Talvez Quitéria seja um milagre de sobrevivência, não uma pessoa.
O retorno ao médico dela está marcado para dia 28. De agosto.
Quitéria passou o dia todo com dor, é claro. O marido esperava receber hoje o pagamento da semana – não recebeu. Chegou em casa sem dinheiro (claro) para pagar um táxi.
Ambulância? Não vai buscar alguém só porque está morrendo de dor.
Acabaram indo a um dos hospitais onde ela é atendida, com carteirinha e ultra-som na mão, procurando o pronto-atendimento.
Foi medicada, saiu de lá com um Buscopan para tomar em casa e uma receita para comprar um remédio na farmácia, porque “não é de pegar no posto”.
Com que dinheiro?
Pode voltar na segunda para falar com o médico dela, mesmo não sendo o dia da consulta. Desde que alguém lhe pague o táxi.
***
Todos os fatos acima são verídicos – apenas muito, muito resumidos. Talvez algum detalhe esteja incorreto por lapso de memória.
Nesses últimos anos, alguns médicos, enfermeiros e auxiliares foram admiráveis. Mas muitos, muitos mesmo, trataram Quitéria como se fosse um boneco, um robô, um cadáver para experiências, uma estatística – sem alma, sem sentimento, sem dor.
Alguns dos hospitais e pronto-socorros pelos quais ela passou – todos citados, sem serem nomeados, nesse resumo da história: João Paulo – Vila Penteado – Vila Nova Cachoeirinha – Pérola Byington – Brigadeiro.
Vai, passa por uma consulta e volta para casa. Faz um exame, volta para casa. Vai, é medicada ou recebe uma receita para comprar remédio na farmácia, volta para casa. Chega se arrastando, sai sem se agüentar em pé direito e sem ter como ir embora – mas mandam a mulher de volta para casa.
Eu queria ganhar na Megasena e comprar um imóvel para Quitéria: uma suíte no Sírio Libanês. Cama com lençóis e cobertores, ambiente climatizado, banheiro limpo, chuveiro quente, televisão com controle remoto, telefone, três refeições ao dia, telhado sem goteiras, parede sem mofo, silêncio, médicos, enfermeiros, aparelhos, remédios e fraldas.
O que foi gasto nos últimos anos com comida, artigos de higiene, fraldas, remédios, táxis, gasolina e conta de celular talvez tivesse sido suficiente para interná-la muitos anos atrás em um único hospital em que cuidassem dela como uma pessoa deveria ser cuidada.
Escrito por Soninha às 01h53
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Ocupação irracional, mobilidade insustentável
Vejam que ótimo esse texto tirado das páginas do PITU, Plano Integrado de Transporte Urbano, com grifos meus:
1. INTRODUÇÃO
As dificuldades enfrentadas diariamente pelas pessoas ao se locomoverem nas cidades normalmente têm uma análise fragmentada, em que os problemas do sistema de
transporte são dissociados das questões do uso do solo.
O senso comum estabelece que a solução para melhorar o transporte coletivo é buscar oferecer mais transporte ao usuário, com melhor qualidade e menor custo possível.
A construção de ruas mais largas e avenidas, definidas como sistema viário, assume preponderância, justificando grandes obras e reforçando o atual modelo de pensar as
cidades (ANTP, 2003).
O processo brasileiro de urbanização que propicia a fragmentação do espaço urbano, separando bairros residenciais cada vez mais distantes dos locais de trabalho e de lazer, expulsando a população mais carente para a periferia dos grandes centros, gera uma estrutura de áreas degradadas física e economicamente. Os resultados deste processo repercutem no transporte de forma drástica. Desqualificando a prestação dos serviços pelo
aumento dos tempos de viagem, pelo aumento da poluição atmosférica, por aumento nas tarifas praticadas, etc. Cria-se assim um círculo vicioso cabendo ao transporte resolver
obstáculos originados por esta ocupação urbana irracional.
A análise conjunta de todos estes aspectos é a diretriz escolhida para o desenvolvimento do PITU/2025, assumindo-se a importância desta abordagem no sentido de tratar-se a mobilidade urbana de forma sustentável, onde um conjunto de políticas de transporte e circulação seja implementado, visando proporcionar acesso amplo e democrático ao espaço urbano, atrelando-se a isto políticas urbanas que incentivem a valorização e criação de sub-centros urbanos. Este processo resulta na formatação de uma cidade multi-centralizada, mais efetiva e humana.
O reposicionamento de equipamentos urbanos/sociais e a descentralização de serviços públicos são instrumentos lógicos a serem utilizados na potencialização desta cidade, que será mais organizada, eficiente e preparada para atender aos desejos de viagens de seus cidadãos, com deslocamentos mais racionais, a distâncias mais curtas.
Fundação para a Pesquisa Ambiental
Rua do Lago, 876 – Cidade Universitária – São Paulo – SP- 05508-900 – tel. 38194999 – fax. 30915032
*** Quando dei uma entrevista para o Valor, meses atrás, apontei esse como eixo central do programa de governo: reorganizar o território da cidade, repovoando o centro e promovendo o incremento de atividade econômica e a oferta de infra-estrutura e equipamentos públicos na periferia. Sem isso, a cidade não tem jeito. Enquanto houver distâncias imensas separando as pessoas, não haverá sistema de trânsito e transporte que dê conta.
O repórter foi irônico: "Não é bem uma novidade, né?"
Claro que não é. Eu não inventei isso, eu aprendi. O problema é ter algo tão antigo, tão conhecido, ainda tão distante da realidade.
Escrito por Soninha às 18h44
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Transgressão e limite - inscreva-se!
Li a notícia na Folha e logo depois recebi o Abaixo Assinado, que explica tudo (o link da Folha é só para assinantes...):
No dia 11 de Junho de 2008, o artista Rafael Augustaitz, formando do curso de artes visuais da Faculdade de Belas Artes apresentou seu trabalho de
conclusão de curso.
Misturando técnica, performance e protesto, ele e um grupo de 40 "Pixadores" invadiram a faculdade durante a vernissage dos formandos, deixando nas
paredes do instituto as marcas da grande arte reconhecida internacionalmente que é a "Pixacão" de São Paulo.
A "Pixação" é a arte da rua e os acadêmicos, naturalmente, não entenderam.
Sem entender, o natural dentro de uma escola de artes seria abrir o debate, discutir, consultar especialistas em arte de rua, questionar o aluno, seus
motivos, suas reais intenções, mas nada disso foi feito.
Cegos pela emoção do momento, a diretoria vem julgando Rafael a revelia, sem direito a defesa, e arbitrariamente acena com sua expulsão do curso, quando
há outras medidas menos aflitivas para lidar com a situação.
"Pixação" pode ser crime (?), mas também é arte, e a faculdade perdeu a chance de surfar na vanguarda da mais moderna e atual de todas elas. Sempre
foi assim. o MOMA (Museu de Arte Moderna de NY) torceu o nariz para os trabalhos de Andy Warhol em sua primeira aparição e Basquiat foi
ridicularizado pelos mesmos acadêmicos que hoje o idolatram. A arte de verdade incomoda e as vezes demora a ser entendida.
Através desse abaixo assinado, gostaríamos de pedir apenas que a faculdade de Belas Artes dê ao aluno Rafael a chance de se defender, expor suas idéias
e defender sua arte. O debate sobre um tema como esse é o mínimo que se espera de uma instituição que se intitula de "Belas Artes" e não expulsão,
julgamento a revelia e arbitrariedade.
JOÃO WAINER FOTÓGRAFO
ROBERTO T. OLIVEIRA SINDICATO PARALELO FILMES
XICO SÁ JORNALISTA
PAULO EDUARDO SALVADOR (ICE BLUE) RACIONAIS MC¹S
OTAVIO PANDOLFO (OS GEMÊOS) GRAFITEIRO
GUSTAVO PANDOLFO (OS GEMÊOS) GRAFITEIRO
PINKY WAINER ARTISTA PLASTICA
ADRIANO LEOPOLDO DUQUE GRANT (CHOQUE) FOTÓGRAFO
DIEGO SALVADOR (NÃO) GRAFITEIRO
REGINALDO F. DA SILVA (FERREZ) ESCRITOR
RENATA SIMÕES JORNALISTA E APRESENTADORA
IGNACIO ARONOVICH - (lost.art.br)
LOUISE CHIN - (lost.art.br)
Eu assinei.
***
Este trecho da matéria da Folha merece ser destacado:
"Segundo o supervisor acadêmico Alexandre Estolano, a faculdade está, sim, interessada em discutir "limite e transgressão". "Mas não desse jeito. Vamos patrocinar um seminário sobre o tema, em agosto."
(Imaginei a seqüência da declaração. "Vamos patrocinar um seminário sobre limite e transgressão em agosto. As inscrições poderão ser feitas antecipadamente por boleto bancário, transação pela internet ou depósito identificado. Aceitamos cartões de crédito. Aguarde o recebimento de sua credencial pelo correio. Por favor, preencha cuidadosamente o formulário de inscrição e não deixe em branco os campos "filiação" e "CPF". Envie um comprovante de endereço (original ou cópia xerográfica autenticada) por Sedex ou fax. Informe, na ocasião do seminário, se você usa marcapasso (haverá detetores de metal na entrada). Traje: passeio completo. O seminário Limite e Transgressão agradece antecipadamente sua participação").
Segue a Folha:
"Limite e transgressão, até onde vai a arte e a liberdade de expressão", segundo o texto de divulgação, serão debatidos por "jornalistas, artistas consagrados, colecionadores de arte, galeristas, curadores de museus". E por nenhum pichador".
Escrito por Soninha às 17h50
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"Cuidado"
Eu ia para o debate no Ig logo mais (15:00) de moto. Na maioria das situações, esse é o jeito mais rápido de chegar a qualquer lugar em São Paulo.
(Quando não é? De madrugada nas Marginais - eu não ando a 90 por hora de moto, mas de carro sim. Em alguns trajetos e horários o metrô é melhor. Idem para ônibus. A 9 de julho, por exemplo, é tão apertada que o congestionamento pega as motos também. E em algumas situações até bicicleta é mais rápido - eu de moto já perdi uma corrida intermodal para elas em setembro do ano passado).
Enfim, eu ia de moto, até um amigo mandar um email avisando: "Tem estacionamento de bicicleta no prédio do Ig...". Captei a mensagem e topei. "Mas como eu chego lá? 9 de julho não dá". Ele respondeu da melhor maneira possível: traçando uma rota no Bikely, um site sensacional, que "ajuda ciclistas a compartilhar o conhecimento de boas rotas de bicicletas". "Fiz o percurso com as menores subidas e evitando as grandes avenidas. Nesse roteiro há grande fluxo de veículos (onde não há, nessa região?), mas baixas velocidades", avisou. Ele assinalou o trajeto no mapa, que pode ser visto mais de perto ou de longe, e explicou o caminho passo a passo, com comentários como estes:
"Cuidado nessa esquina, muitos carros viram à direita. Ocupe a faixa toda, mantendo-se distante da calçada, e sinalize para que os carros que vêm de trás esperem você passar. Ou pare na esquina, espere o sinal fechar e saia quando ele abrir".
"Cuidado nesse cruzamento, havia uma rotatória aqui mas ela foi sepultada pelo recapeamento"
"Cuidado nessa esquina: à vezes os carros que vêm da direita precisam ir se enfiando para conseguir cruzar e você terá que desviar deles, mas os que vêm atrás de você podem não prever seu movimento de desvio. Sinalize sempre e tenha certeza que vão parar para você..."
(Sintomático que os três comecem com "cuidado"!)
"Dê um sorriso para a Praça do Ciclista e continue até a esquina"
"Vamos pegar um trecho da Augusta. Ocupe a faixa e não passe muito perto dos carros estacionados, que podem abrir a porta de repente".
Daqui a pouco eu vou (esse, na verdade, é o trajeto da volta). Depois, como sempre, eu conto como foi.
Escrito por Soninha às 12h46
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Tricô, semáforos e reciclagem
Quando alguém me pergunta o que eu gosto de fazer, tenho uma lista enorme de coisas: ler, escrever, ouvir música, dançar, comer, ir ao estádio, jogar bola, ficar em casa com as filhas, ver seriados na TV, tirar e ver fotos, andar, andar de bicicleta, viajar... Não digo nunca uma que eu adoro, da qual eu só lembro no momento em que acontece: aprender. É um prazer imenso.
Aprender um idioma, um passo de dança, uma música no violão, um atalho no Word, um recurso no Google Maps... Um caminho novo, um origami, tricô e crochê. Ou por que embrulhar frutas em jornal ajuda a amadurecer (minha filha bióloga explicou). Adoro.
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Esta semana, já passei por essa sensação uma dezena de vezes. Em uma reunião de duas horas com representantes de funcionários da CET, que estão procurando todos os candidatos à prefeitura para expor suas sugestões, reivindicações e reclamações sobre o trânsito e a companhia, aprendi uma porrada de coisas. Foram eles que me explicaram a diferença entre semáforos inteligentes e eletrônicos; as indicações, vantagens e desvantagens entre um e outro. Bobagem? Acho não. Até outro dia, eu saía que nem uma papagaia (e que nem todo mundo) dizendo “precisa haver semáforos inteligentes na cidade toda!”. Tem lugares em que os eletrônicos são muito mais adequados. E mais baratos. Não foi só isso; eles me esclareceram uma porção de outras dúvidas (e despertaram outras, para as quais também não tinham resposta mas ficaram de procurar).
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Hoje estive no Cempre – Compromisso Empresarial pela Reciclagem, ONG que me socorria muitas vezes quando eu ainda trabalhava na MTV e usava o site deles para buscar informações (sobre o volume da produção de resíduos/ dia em São Paulo, por exemplo, ou sobre os lugares que recebiam ou compravam material reciclável). Eles ainda oferecem socorro para prefeituras, empresas, cooperativas, condomínios, acadêmicos e demais interessados no assunto reciclagem.
Com eles, fui até a sede da Reciclázaro no Butantã. O trabalho da Reciclázaro, que é em várias frentes, eu conheço faz tempo – tanto vi nos meios de comunicação quanto fiz reportagens sobre eles. São muito bons. Acabaram de ser aprovados em um edital da Petrobrás – que recebeu inscrições de 6 mil projetos pelo Brasil todo, para aprovar pouco mais de 70 – e vão obter recursos para reformar o galpão onde fazem triagem de material reciclável. O projeto é demais: vão captar água da chuva, tratar o esgoto deles e da igreja ao lado em um biodigestor que vai gerar gás para a cozinha, aquecer água dos chuveiros com energia solar... E continuar separando centenas de toneladas de material reciclável todo mês.
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Conheço muito sobre esse assunto, estudo e discuto há muito tempo, tento interferir nos rumos da coleta seletiva como vereadora (em mil debates, reuniões, audiências públicas, ofícios, requerimentos, emails, etc.) , e ainda assim saí de lá – e da Coopamare, que eu conheço há mais tempo ainda – com informações novas e muito interessantes.
Por exemplo: eu já sabia que uma das cooperativas instaladas na antiga Usina de Compostagem da Leopoldina (e futuro Parque Orlando Vilas-Boas, sabe deus quando) vende isopor (que muita gente ainda pensa que não é reciclável) para uma fábrica de Santa Catarina. Mas eu não sabia que as cooperativas trabalham em rede para aumentar o volume de materiais como esse, mais difíceis de comercializar se não houver uma boa quantidade.
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As Cooperativas enfrentam, nos últimos anos, problemas muito persistentes de incerteza jurídica, institucional e financeira. Os contratos de convênio com a prefeitura expiraram e ainda não foram renovados; muitas estão instaladas em áreas provisórias e convivem com a ameaça permanente de desalojamento; há a concorrência com os serviços de “morcegão”, que “roubam” resíduos em coletas irregulares e “atravessam” a venda; a incompreensão e intolerância de vizinhos das centrais; a perseguição de Subprefeituras, GCMs ou PMs a catadores; a cobrança pela retirada do rejeito (o que sobra depois da triagem) como se eles fossem “grandes geradores” (eles não GERAM aquele lixo; aliás, eles DIMINUEM a geração de lixo!).
Como se não bastasse, há um problema novo. Estamos tentando interceder pelas Cooperativas junto à prefeitura por causa do rodízio de caminhões. Impedidos de rodar dia sim-dia não em horário comercial, não conseguem recolher material reciclável de escolas, empresas e condomínios – e, por causa do barulho ou da falta de funcionários, não podem retirar o material depois das 9 da noite. Como o material vai se acumulando, o pessoal acaba entregando para o caminhão de lixo – assim, o que seria reciclado vai parar mesmo no aterro sanitário, e os cooperados vêem sua renda diminuir imediatamente. Desmotivadas, as pessoas podem acabar desistindo de separar o material (“vai misturar tudo mesmo”) e lá se vai um enorme esforço de conscientização e fidelização por água abaixo.
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Pedi atenção e providências ao gabinete do prefeito. Fiquei sabendo que o Secretário de Transportes dava o problema como resolvido, porque os caminhões de lixo foram liberados do rodízio.
Acontece que os agentes da CET, imbuídos da mais profunda consciência ambiental, entenderam que caminhão de lixo é uma coisa, caminhão da coleta seletiva é outra. E eles têm razão, ó pá. Material reciclável não é lixo! É uma vitória que as pessoas pensem assim.
Acontece que a natureza do serviço é muito semelhante: é coleta de resíduos, tanto quanto a outra. E do ponto de vista de trânsito os dois merecem, sim, o mesmo tratamento, porque são serviços fundamentais.
Supliquei ao Secretário que resolva isso. Ou muda a palavra “lixo” para “resíduos”, ou deixa bem claro pra CET que os 200 caminhões – devidamente registrados junto à Limpurb, insignificantes numericamente em uma cidade desse tamanho – podem botar o nariz pra fora dia sim, outro também.
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O que mais teve no dia?
Entrevista por telefone para a Band AM (dessa vez, sobre o tema “corrupção de fiscais”); comentário por telefone para Folha Online sobre a ação contra a candidatura do Maluf; entrevista por email para o Estadão; discussão por email sobre materiais da campanha; discussão no gabinete sobre problemas na Baixada do Glicério e questões ligadas aos programas da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social... Reunião na quadra da Escola de Samba Unidos do Peruche... Futebol (belo jogo), blogs e emails. E eu devo estar esquecendo alguma coisa. E amanhã tem mais, tem muito mais.
Escrito por Soninha às 01h08
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De blogosfera & grande mídia
1 - Nassif em seu blog: "Diogo Mainardi ataca a honra sem pestanejar em 1,2 milhão de exemplares. Sua força reside apenas na falta de escrúpulos, capacidade ilimitada de injuriar – com a Abril garantindo as custas judiciais e as condenações. E no fato de escrever em revista de larga circulação não mais que dois artigos por semana. Tem pouquíssima ambição intelectual, para se contentar com algo tão fácil, à mão de qualquer inescrupuloso.No Blog da Veja, o desequilíbrio espalha palavrões, torpezas, esgoto. Mais que isso: apelam até para blogs apócrifos para não responder por acusações. Com o devido apoio logístico da equipe da vereadora Soninha".
Postei um comentário lá; não sei se foi ou será publicado: "De novo isso, Nassif? Você fala em “atacar a honra sem pestanejar”, em “injuriar”, em “torpezas” e “apelação”. E faz o que comigo? Me coloca de novo no meio de um rolo que eu nem sei qual é. “Apoio logístico” da “equipe” da “vereadora” “Soninha”????
P., Nassif, seja lá o que for que você quer dizer com “apoio logístico” a sei lá eu o quê, entenda o seguinte: a vereadora Soninha tem assessores parlamentares contratados pela Câmara Municipal de São Paulo para exercerem diversas funções – de atender as pessoas na recepção a elaborar pareceres jurídicos sobre projetos de lei; de contatos com ONGs e Movimentos Sociais a verificação da Execução Orçamentária do Município; de estudos sobre questões como mudanças climáticas e código de obras ao encaminhamento de reclamações sobre o 156, e um vasto etc. Quando eles saem do gabinete, eles não são mais a minha “equipe”. Se escrevem livros eróticos, como o Eros Grau, ou cantam funk no karaokê, não é da minha conta. A vereadora Soninha não é babá de quem trabalha com ela na Câmara. Isso que você está fazendo, contra mim e contra a minha “equipe”, só não é calúnia porque “apoio logístico” não é crime. Mas é uma tremenda, enorme, absurda sacanagem".
2. O Painel da Folha resolveu me dar o ar de sua graça hoje. Alguém lá leu o Diário de Campanha, que deve ter uns 50 mil caracteres, e resolveu fazer esse extrato do texto:
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