Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Câmara Municipal de São Paulo
 Prefeitura do Município de São Paulo
 Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo
 UOL


 
Gabinete


Que beleuza

Na propaganda que passou ontem no intervalo do jogo do Brasil, a coligação "Uma Nova Atitude para São Paulo" (PT, PCdoB, PSB, PDT, PRB e PTN) não fez nenhuma proposta, nenhuma crítica à atual gestão, nada - apenas um questionamento quanto ao outro candidato a prefeito, falando em "amizades", "passado" e não sei mais o que, e encerrando com a pérola: "Ele é casado? Tem filhos?".

 

É o FIM DA PICADA.

 

Qualquer mané que não tenha passado os últimos meses em Marte sabe qual é a insinuação: Kassab não é casado e não tem filhos porque é gay. "Bichona", como já ouvi dizerem desafetos dele, "qualificando o debate".

 

A Marta se notabilizou, entre outras coisas, por militar a favor do respeito aos homossexuais e da garantia de seus direitos civis.

 

E se por acaso Kassab fosse/for gay? Isso o desqualifica, do ponto de vista do PT, para ser prefeito de São Paulo?

 

Será que ela foi consultada a respeito dessa baixaria, ou a coordenação de campanha resolveu meter o pé na jaca por contra própria?

 

Marta também reclama, com razão, quando atacam sua vida pessoal na mídia. Já briguei com muita gente que achou o cúmulo ela ter se separado do Eduardo Suplicy e casado com "um argentino" - por quem eu não tenho a mais remota simpatia, mas o casamento dela é problema dela. Já xinguei a Veja por defender, cinicamente, o direito de chamar a Marta de "perua" como se fosse apenas uma descrição de um modo de ser e não uma esculhambação.

 

A campanha do Kassab, aliás, não perdeu a chance de também dar sua "contribuição" para essa estratégia de campanha. No rádio, tem uma musiquinha que fala de "enchente com água pelo nariz" e "dona Marta passeando em Paris".

 

Tenham dó.

 

Criticar os túneis - pelo custo, pela inadequação, pela execução inoportuna e desastrada - ok. Mas colar na Marta a imagem de "madame" despreocupada, que vai passear em Paris enquanto tem enchente na cidade, é lastimável. Não acrescenta nada à discussão que interessa - qual das duas gestões se apresenta como melhor alternativa para a cidade?

 

***

Tem gente no PT, ainda bem, que recusa o vale-tudo.

Eu discordo da parte que separa "os progressistas" e "os lutadores sociais" de um lado (todos ao lado da Marta) X "os conservadores" e "as elites preconceituosas" do outro (o do Kassab) - mas, de resto, concordo com  tudo.

 

Nota do comitê LGBT Marta Prefeita

 

O segundo turno das eleições em São Paulo tem como característica principal a polarização entre dois projetos de país e de cidade. Confrontam-se duas candidaturas com  trajetórias políticas absolutamente distintas.

 

Marta representa o campo progressista, a esquerda, a centro-esquerda, os lutadores sociais e a luta democrática. Kassab, do PFL (disfarçado de  democrata), representa as forças conservadoras, a direita, as elites preconceituosas, os que sustentaram a ditadura militar e a repressão aos movimentos sociais organizados.

 

Alguns comerciais da campanha Marta para o segundo turno que foram ao ar a partir de ontem questionam, acertadamente,  a trajetória de Kassab e explicitam a diferença de projetos.

 

Contudo, no final de uma destas  propagandas, se indaga se Kassab é casado ou tem filhos.

 

Para nós, militantes da luta anti-homofóbica, feminista, e também  todos e todas que comungam de valores progressistas, esse tipo de linha de campanha é ERRADO e INACEITÁVEL, por várias razões:

 

Primeiro, porque viola o direito à privacidade e  à intimidade - direito humano fundamental e constitucional de todas e todos os cidadãos.

 

Segundo, porque esse tipo de questionamento  reforça o preconceito e a homofobia (a mensagem subliminar é que ser gay seria um demérito e comprometeria a capacidade de governar). Kassab não  é  - ou  será  - mau prefeito em virtude de sua orientação sexual (qualquer que seja) ou pela forma como leva sua vida privada, mas, sim, porque é conservador, comprometido com as elites.

 

Terceiro, esse tipo de crítica é moralista e preconceituosa,  pois reforça  a heternormatividade (que considera aceitável apenas a heterossexualidade)  ao insinuar que  só será um bom gestor público é aquele/a que tem cônjuge e  filhos. Ou seja, só seria aceitável como prefeito quem tivesse um tipo de família (a tradicional), desconhecendo os vários tipos de família existentes e inclusive estigmatizando as pessoas que optaram por não se casar.

 

 Quarto, porque uma candidatura com a trajetória de Marta, NUNCA poderia adotar essa linha. Marta é pioneira na defesa dos direitos das mulheres e dos homossexuais. Marta sofreu e sofre com o machismo e   preconceito em virude desta trajetória avançada e progressista  -  e sempre foi atacada por defender  os direitos sexuais e reprodutivos e a livre orientação sexual.

 

Quinto, esse tipo de argumento  DESAGREGA.  Afasta e divide nossa base militante, social e eleitoral, pois  é retrógrado. Aliás, se queremos aumentar o diálogo com os setores médios, esse tipo de campanha é ainda mais contraproducente. É errada conceitualmente e ineficaz eleitoralmente.

 

 

Neste sentido, o Comitê LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) solicita com veemência à coordenação geral da campanha que retire IMEDIATAMENTE esses questionamentos preconceitusos  do ar, inclusive do sítio eletrônico da campanha.

 

Até que isso ocorra, estamos suspendendo todas nossas atividades de campanha, pois não concordamos em absoluto com a linha adotada neste momento.

 

SP, 13 de outubro de 2008

 

Rick Ferreira

p/ Comitê LGBT Marta Prefeita

 

Lula Ramires

p/setorial estadual LGBT do PT-SP e Comitê Marta Prefeita

 

Julian Rodrigues

p/ setorial nacional LGBT do PT e Comitê Marta Prefeita



Escrito por Soninha às 15h01
[] [envie esta mensagem] []



Instruções para leitura

Nos oito posts abaixo, que devem ser lidos de baixo para cima, minhas opiniões sobre PT, PPS, Kassab, alianças...

 

E a informação correta: eu continuo onde estava antes. O Partido vai de Kassab. Eu vou de Gabeira.

 

(PS: o PPS vai de Gabeira também, desde o começo)



Escrito por Soninha às 18h46
[] [envie esta mensagem] []



O segundo turno - encerrando a história (por enquanto)

(Continuação do post abaixo)

 

Então só a Marta tem problemas? Já disse um milhão de vezes que não. A campanha e o governo do Kassab também têm. Ao lado dele tem uma turma "da pesada" também.

 

Mas, por incrível que pareça, eu vejo hoje o Kassab resistindo mais a entregar os anéis, os dedos e os ossos da mão aos aliados do que a Marta. Menos disposto a fazer qualquer concessão em troca de apoio.

Eu disse "menos", e não "nada". O apoio do PTB será "programático"? Bem capaz.

 

Mas o apoio do PPS é. Descartado o apoio a Marta, o partido não ficou com o adversário por força da gravidade. Fez suas exigências - compromissos com alguns dos pontos principais de nosso programa de governo.

 

Kassab não recusou nenhum deles.

 

E se for mentira? E se ele não cumprir?

 

Será criticado como merece. Sem o menoooor constrangimento, a menor hesitação.

 

E a bancada do PPS na Câmara irá se conduzir de maneira totalmente afinada com o interesse da cidade - não com interesses do governo. Eu jamais admitiria um acordo na base de "cargos x apoio na Câmara".

 

***

E eu?

 

Apesar dos títulos e manchetes nos jornais, eu ESTOU FORA.

 

(Por que não me deram uma manchete igual à da Manuela??? "Sem Manuela, PCdoB decide dar apoio a Maria do Rosário". Por que não escreveram "Sem Soninha, PPS..."?)

 

Fui candidata a prefeita e continuo achando que sou melhor candidata do que eles :o).

 

Não estou me rebelando contra o partido, porque eles sempre souberam da minha posição. Nem estou me "submetendo" ao partido, porque eles não estão me obrigando a nada. Vão apoiar a candidatura do Kassab. Eu não.

 

Para quem vota na Marta, o fato de eu não discordar/ brigar com o PPS é o equivalente a uma traição.

Para quem não vota na Marta de jeito nenhum, o fato de eu não fazer campanha para o Kassab é uma decepção.

Lamento. Se o preço da minha posição for ficar mal com todo mundo, azar. É triste, juro que é, mas faz parte.

 

O mais irritante é a injustiça, a desonestidade, a conclusão equivocada. "Ela só entrou na disputa para isso"; "era esse o plano desde o começo"; "ela mudou muito"...

 

Mudei nadinha. Sou igualzinha ao que eu era semana passada.

Não vou votar na Marta e não vou pedir voto no Kassab. Não vou tentar convencer ninguém a seguir a posição do PPS. Vou "liberar meu eleitor", como costumam dizer - como se precisasse...

 

Detesto cabresto. Espero sempre que os eleitores analisem muito bem qualquer coisa antes de tomar sua decisão. Se eles chegarem (ou se já chegaram) à conclusão de que ainda preferem o PT, ok. Se preferem que a atual gestão continue, ok também.

 

O que não é ok é o maniqueísmo, a patrulha. O "nós, os conscientes" X "eles, os que não prestam". "NÃO VAI VOTAR NA MARTA??? Então você é do mal". "VAI VOTAR NO PT? Então é ignorante". E vice-versa.

 

***

Então minha posição é muro? Não, não é. Mas é de tolerância às divergências. E de intolerância às polarizações forçadas, falsas. "Esse governo não gosta de pobre! Quem gosta de pobre é o PT!". Não suporto essa apelação. Já não gostava quando estava lá.

 

Tenho vontade de dizer: "Confiem em mim". Mas eu sei que é bobagem - quem é que não diz "pode confiar em mim"? Então, recomendo o de sempre: me acompanhem. Me cobrem. Me sigam. Vejam o que eu faço, como me posiciono, quem eu enfrento. Perguntem quem eu respondo. Avaliem vocês se eu mudei - se troquei de bandeiras, de idéias e ideais. É fácil pra burro me avaliar. Existe algum político por aí, QUALQUER um, que se exponha tanto? A quem as pessoas tenham tanta facilidade de se dirigir diretamente? Que explique tão minuciosamente o porquê de suas decisões?

 

Se discordarem delas, ok. Só não me atribuam idéias e opiniões que eu não tenho, coisas que eu não sou.

 

***

Acabo de saber que  a senadora Marina Silva, como eu, apóia o Gabeira no Rio. YES!



Escrito por Soninha às 18h20
[] [envie esta mensagem] []



O segundo turno - adiantando o fim da história (3)

(Continuação do post abaixo)

 

"O Kassab e o Maluf não são a mesma coisa?"

 

NÃO.

 

O Maluf praticou vários desastres contra a cidade nas suas passagens por cargos executivos. Perpetrou obras no mínimo discutíveis, a custos inaceitáveis.

 

Defendeu ardorosamente a ditadura militar. Estava sempre ao lado contrário dos que defendiam a democracia, o direito ao voto, às liberdades civis. Tem a simpatia dos que defendem que "bandido bom é bandido morto". Prefere mulheres submissas. Mente descaradamente.

 

Alguém pode defendê-lo dizendo que ele mudou - afinal, está ao lado do PT agora, seu antigo inimigo mortal.

 

Então tá... O Maluf mudou? Acredita em algo em que não acreditava antes? Suavizou-se, modernizou-se, tem posições diferentes das que sustentou a vida toda?

 

***

O PT está fazendo de tudo para colar o Kassab (e o Serra) ao malufismo.

 

Incrível.

 

Não nos esqueçamos: o Maluf é da base do Lula. O PP está devidamente representado no governo federal, e não tem qualquer carguinho não - tem o MINISTÉRIO DAS CIDADES. Cujo ministro quase foi afastado depois de acusações feitas durante a operação Navalha, mas ele acabou se segurando.

 

Mas haja o que houver, o PT é esquerda, e quem estiver contra o PT é direita... É essa a idéia em que eles insistem.

 

Os aliados do PT à direita são sempre "menos direita" que os outros?

 

Quando outro partido de esquerda participa de um bloco com partidos de centro e direita, está contaminado para sempre com o vírus dos herdeiros da ditadura.

 

Mas o PT? Nunca! Não só é sempre de esquerda, faça o que fizer, haja o que houver, é a única esquerda.

 

Pode defender o agro-negócio, abraçar o Blairo Maggi (se ele ainda fosse do PPS, talvez eu não tivesse entrado!), o Sarney, o Jader Barbalho, o Renan Calheiros, o Marcelo Crivella. Mas o PPS é "a direita"!

 

Fala sério...

 

***

Tem gente caretésima, reacionária, conservadora dos dois lados (Marta e Kassab). Tem gente cabeça aberta, moderna, arejada dos dois lados também.

 

***

Clientelismo, fisiologismo, demagogia, imediatismo etc. são defeitos que se encontram em quem se diz à esquerda e quem se diz à direita.

 

Mas eu continuo à esquerda. Sei muito bem o que defendo, no que acredito: no papel do Estado como promotor de justiça social e igualdade. De guardião dos direitos humanos. No bem-estar coletivo como sendo mais importante do que o individual (não que este não seja importante!). Nos modelos de organização solidária, mais do que na competitividade. No índice FIB (Felicidade Interna Bruta), mais do que no PIB. No IDH mais do que na avaliação das agências de risco para investimentos. Na qualidade de vida mais do que no "poder de compra". Na república e na democracia - que garante a vontade da maioria mas deve respeito à minoria. Na diversidade, na pluraridade. No direito de organização, manifestação, participação. Na política como campo de luta por transformações sociais.

 

Eu não apóio a direita. Não é porque me oponho à Marta que mudei de espectro político. Os arranjos partidários contemplam - infelizmente; lamento isso agora como sempre lamentei - parcerias momentâneas de personagens com ideologias e histórias diferentes.

Muitas vezes, isso é movido pela rejeição a determinado personagem ou partido. Quem não suporta o Lula votou no Alckmin mesmo sem achá-lo um grande candidato, e vice-versa. É duro, mas é assim. Em quem será que os eleitores do PSOL votaram na eleição presidencial de 2006? Em quem rejeitavam menos, ou em ninguém...

 

[Continua]



Escrito por Soninha às 18h19
[] [envie esta mensagem] []



O segundo turno - adiantando o fim da história (2)

(Continuação do post abaixo)

 

O PPS, como eu já disse mil vezes, rompeu com o PT muito antes de mim. Depois de ter apoiado o Lula no segundo turno em 2002, afastou-se do governo e passou a lhe fazer oposição. Por exemplo, por não querer receber em suas fileiras parlamentares vindos de outras legendas, que passariam a fazer parte da base governista (o que chegou a ser solicitado por representantes do governo).  

 

Eu continuei lutando dentro do PT mais um tempo, até chegar à conclusão que era uma luta perdida. Conclusão tão irrevogável que me fez sair do partido.

 

O PPS apoiou as candidaturas do PSDB em 2004 e 2006. Provavelmente, continuaria nesse campo, em oposição ao PT.

 

Sabendo disso, eu já avisei ANTES de ir para o PPS: "Eu vou sair do PT mas não virei anti-petista. Eu sei o quanto sofri lá sendo chamada de "mensaleira", "petralha"... Não quero fazer a mesma coisa com pessoas que eu admiro e respeito. E não vou fazer campanha para o Alckmin, por exemplo. Não gostei do governo dele, sempre critiquei muito, e ele não foi meu candidato e presidência e não seria para a prefeitura em hipótese alguma".

 

O partido entendeu, acatou e garantiu: "Você não será obrigada jamais a apoiar alguém sem acreditar. Nós já passamos por isso - o PPS apoiou o Lula em uma eleição presidencial  em que um dirigente do partido que não participou da campanha porque preferia a candidatura do PSDB. Aceitamos".

 

***

Eis que chegou o segundo turno, entre Marta e... Kassab.

 

Assim como já não era mais eleitora da Marta enquanto ainda estava no PT, também não sou eleitora dela nesta disputa. Continuo com a avaliação que o grupo próximo à Marta é adepto do vale-tudo. Não é "o PT" -- é uma parte (significativa) do PT. Basta ver algumas estratégias da campanha... As mentiras deslavadas ("eu fiz 100 km de corredores", "criei um projeto de metrô no Ministério do Turismo e vou fazer 43 km em 4 anos", "o CEU do Kassab é mais caro que o meu"), as apelações ("o Lula é meu amigo e vai ajudar São Paulo"), os golpes baixos.

 

O maior e mais persistente deles, nos últimos anos, é colar em si mesmos a pecha de "os únicos progressistas" e de eternas vítimas da maldade alheia. E nos outros o rótulo de "reacionários", "elitistas", "inimigos dos pobres".

 

Depois dos tempos em que os comunistas comiam criancinha, agora os tucanos matam criancinhas pobres no tanque.

 

***

Imagine se o partido do governo no Rio de Janeiro não fosse da base do Lula... O que diriam da polícia assassina do estado? Do extermínio nas favelas?

 

Tenho algumas simpatias pelo Sergio Cabral, mas muitas, muitas críticas, especialmente à política de Segurança Pública. Mas não vejo meu ex-partido protestando furiosamente contra ela...

 

***

NINGUÉM neste país, a não ser o PSTU, pode dizer "não temos nenhuma relação com a direita e os conservadores".  Os outros partidos todos têm, em algum lugar, participação em uma aliança maluca.

 

PT e PSDB são os que têm menos moral para criticar alianças dos outros.

 

O PSDB em São Paulo procurou o Quércia querendo o apoio dele. O presidente do Diretório Municipal do PT chegou a dar entrevista comemorando o apoio dele, que era "certo" - "O PMDB é da base do governo Lula...".

 

Agora, depois de o Alckmin dizer que esse apoio era uma afronta à memória do PSDB, vem o PT dizer "argh, você vai para o lado do Quércia?!".

 

É muita cara-de-pau.

 

***

O PTB que apoiou o Alckmin e agora está com o Kassab é aquele mesmo da base do Lula. Aquele que foi coligado com o PT nas eleições proporcionais de 2004.

 

O PMDB é esse que o PT apóia no Rio contra o Gabeira. PMDB cujo candidato é o EDUARDO PAES, que até outro dia estava para o PT como o Pingüim está para o Batman.

 

O PR da chapa do Kassab é o mesmo que apóia o governo Lula. O PP também.

 

Portanto, se alguém for analisar o espectro das alianças para decidir em quem votar e for 100% rigoroso, NÃO VOTA EM NINGUÉM. Analisando os blocos, vai encontrar incoerências EM TODOS.

 

***

E aí, o que fazer?

 

Votar nulo?

 

É uma opção. "Não serve pra nada"? Serve como registro da opinião.

 

O voto é uma conquista e o voto nulo é um direito. Sou contra o voto nulo em eleições parlamentares, porque isso facilita muito para os "curraleiros", os que compram votos. E são tantas as opções de candidatos, que sempre há boas alternativas. No primeiro turno das eleições para o Executivo, também acho desperdício votar nulo - em São Paulo, havia onze candidatos, será que nenhum "servia"?

 

Mesmo assim, é um direito do cidadão votar nulo. Eu entendo. Mais ainda no segundo turno, quando só há duas opções e é perfeitamente aceitável não querer nenhuma delas.

 

Só que eu não vou pregar o voto nulo. Nem o voto no Kassab. Simplesmente não vou fazer campanha neste segundo turno - apesar de entender e concordar com meu partido na posição assumida.

 

***

O PPS não começou agora, embora tenha "re-começado" com a minha entrada - é o que eles mesmos dizem, o que me deixa muito feliz. (Antigos membros falam em "A.S e D.S." - Antes e Depois da Soninha). É o meu partido - mas o partido não é "meu". Não fui eu que levei o PPS para a oposição à Marta.

 

O PPS tem claríssimo que está na oposição ao PT na capital e em nível federal - e eu SAÍ do PT, porque também não acredito mais na orientação do partido de modo geral. Portanto, estamos de acordo.

 

Então virei anti-petista? Não. Não votaria em ninguém do PT, em hipótese alguma? Também não.

 

Se o adversário da Marta fosse o Maluf, eu votaria no PT.

 

E tem gente do PT que eu convidaria para fazer parte do meu governo.

 

Mas esses meus convidados dificilmente teriam espaço em um governo da Marta... Os petistas que eu e ela admiramos quase nunca são os mesmos.



Escrito por Soninha às 18h16
[] [envie esta mensagem] []



O segundo turno - adiantando o fim da história

(Continuação do post abaixo)

 

Alguns jornalistas escreveram que "ao contrário do que disse ao longo da campanha, Soninha apóia Kassab". Ou publicaram suas manchetes: "Soninha vai de Kassab".

 

Nã-ni-na.

 

Exatamente como disse o tempo todo, eu não vou participar da campanha no segundo turno. Mas o meu partido, como era de se esperar, estará em oposição ao PT.

 

E eu concordo com essa (o)posição.

 

Passei a vida toda no PT. Nesta história em capítulos, fui revelando como cheguei à conclusão doída de que o partido não era mais o meu... Não era mais aquele do qual eu tinha orgulho, que eu defendia com a maior convicção.

 

O PT adotou várias estratégias de vale-tudo - no governo (fazendo concessões e negociações absurdas com os partidos da "base aliada"), na oposição (aqui em São Paulo, onde eu vivo), nas campanhas eleitorais (prévias, eleições internas, disputas por cargos, etc.). E em vez do rigor esperado para combater os abusos, o partido oscilava entre a negação ("é tudo um complô das elites!") e as justificativas ("todo mundo faz assim"; "a política é podre, o sistema tem defeitos, não tem outro jeito"). O rigor que sempre tivemos com os outros não dava as caras em relação a nós mesmos.

 

Alguns no partido se indignavam, envergonhavam, se deprimiam. Mas a maioria, ao menos aqui em São Paulo, batia no peito e dizia "nosso dever é defender os companheiros!".

 

Eu sempre acreditei que é preciso defender quem merece ser defendido... Houve acusações injustas, distorções e exageros ridículos. Eu fiquei possessa com as edições nojentas do "relaxa e goza" com as imagens do acidente da TAM. A Marta errou na declaração, mas juntar a resposta infeliz à tragédia era um crime.

 

Só que as acusações justas precisavam ser levadas em conta.

 

***

Depois de um desgosto, mais outro e mais outro, tive certeza de que o PT não me representava mais. Resisti muito tempo para não abandonar os colegas igualmente indignados, mas ficou tão claro que éramos minoria que o jeito era sair. Mesmo que eles insistissem em ficar.

 

***
Pensei que nunca mais entraria em partido nenhum, já que todos, TODOS têm problemas. Têm pessoas oportunistas, fisiológicas, clientelistas, ambiciosas, safadas. Fazem alianças por conveniências. Mentem, apelam, enganam.

 

Mas decidi entrar no PPS quando o partido chegou fazendo essa auto-crítica. Se penitenciando. Dizendo que eu, evidentemente, era um "problema" que o PT não queria mais ter - e o problema que o PPS precisava ter. Porque o partido precisava ser mais consistente, mais coerente. Ter posições claras sobre os vários temas da cidade, nacionais e mundiais - mobilidade urbana, aborto, aquecimento global. E posições progressistas - Roberto Freire podia admitir diferenças de opinião, mas não que o PPS se colocasse contra a descriminalização do aborto,por exemplo.  

 

O partido admitiu também que a bancada do PPS em São Paulo evidentemente não representava as bandeiras socialistas... Que o partido não obteria consistência com aquela representação parlamentar, pautada sempre no "governismo".

 

Concordei com eles. Não me via nem um pouco inclinada a ter a vereadora Myryam Athiê e o vereador Edivaldo Estima como meus novos colegas de bancada. Preferia continuar com o plano de sair do PT e ficar sem partido.

 

Mas às palavras seguiu-se a ação. O PPS comunicou aos dois que eles não teriam legenda para disputar eleição em 2008 - estavam livres, assim, para procurar outro partido.

 

Myriam filiou-se ao PDT. Estima disse que não queria mais ser candidato; tentaria eleger o filho em outro partido. Ficou. (Mas já desrespeitou decisões da Executiva do partido, então há um processo de expulsão contra ele).

 

***

Vendo que a disposição do PPS de se, ahn, "refundar" era para valer, gostei e resolvi entrar. Especialmente depois de ouvir muita gente "das antigas" - velhos comunistas, líderes sindicais, intelectuais do partido. Que também estavam um pouco desgostosos do partido e seus parlamentares na capital...

 

Logo depois, decidimos disputar a eleição majoritária. O PPS quase teve candidatura própria mais de uma vez nas últimas disputas, mas acabou abrindo mão para apoiar outros partidos (PSB, PT, PSDB...). Desta vez, era pra valer - apesar do assédio de alguns (Alckmin, Kassab, que acenavam com a possibilidade de eu ser vice) e da resistência de gente do próprio partido (que não via muita "vantagem" em disputar uma eleição que seria tão difícil de ganhar...).

 

Mas a direção municipal foi porreta. Peitou o assédio, as resistências e não vacilou um minuto na defesa da candidatura própria. Qual a "vantagem"? A de fazer uma campanha segundo nossas idéias e crenças, pautada por ideais mas com pé na realidade, baseada em convicções verdadeiras e não nas sugeridas por especialistas em marketing eleitoral. Fazíamos questão de demonstrar que isso é possível, sim. Tratar as questões em toda sua complexidade, fugir de soluções simplistas, reconhecer as qualidades dos adversários na disputa com liberdade para apontar os defeitos de todos eles.

Sendo vice de alguém, isso seria IMPOSSÍVEL. Eu não daria nenhuma idéia, não defenderia nenhuma proposta, não poderia nomear realizações dos adversários nem admitir defeitos dos aliados. Não, não era isso que queríamos. E também queríamos A PREFEITURA, e não ajudar a eleger algum deles.

 

***

As reações à candidatura no "meio político" (políticos & jornalistas) foram, como é comum, na linha da "teoria da conspiração".

 

"Soninha mira eleitorado de Marta". Por mais que eu dissesse que eu queria votos de todo mundo, que eu queria me eleger prefeita e para isso precisava da maioria absoluta dos eleitores, o que saía publicado era isso.

 

"Linha auxiliar do PSDB", diziam. "Tirando votos da Marta, ela ajuda o Alckmin".

 

Depois, as coisas mudaram de figura. "Tá servindo de escada para o Kassab! O Serra tramou tudo desde o começo". Nessa m*&¨% de política em que tudo é combinado antes, as votações no plenário são meras encenações do que já está decidido, é compreensível que pensem assim... Mas eu DETESTO essas encenações.

 

Me matei de trabalhar, de correr a cidade, de responder perguntas e não dormir. De estudar a cidade, ouvir as pessoas, ler, escrever, discutir. Pra que, pra servir de escada? Vão lamber sabão!

 

Fiz a campanha eleitoral querendo votos de todos. Jovens e velhos, camelôs e empresários, homens e mulheres. Mas sem mentir pra ninguém; sem ocultar ou mudar opiniões para satisfazer a platéia. Quero repovoar o centro, dar condições para que as pessoas de renda mais baixa morem perto de onde há mais oportunidades de trabalho, mais serviços e equipamentos públicos e privados e centenas de prédios vazios. Disse isso em Guaianases e na Associação Comercial de São Paulo. Em sindicatos de empregados e sindicatos de patrões.

 

"Tirei" votos da Marta, do Alckmin, do Kassab, do "nulo" e até do Maluf.

 

A se julgar pelo Datafolha (vocês sabem o bode que eu tenho de pesquisa, mas enfim...), a Marta foi a pessoa de quem eu tirei menos votos. Afinal, 1/3 dos que votaram em mim votarão nela no segundo turno. Portanto, os outros 2/3 já não teriam votado nela de toda maneira, comigo ou sem mim na disputa.

 

***

Desde o começo, muitos me perguntavam: "E o que você vai fazer no segundo turno?" - já imaginando, claro, que eu mesma não chegaria lá (ah, e como eu queria...).

 

Eu sempre respondi a mesma coisa - às vezes em tom mais irônico, às vezes falando mais sério. "Vou pra Fernando de Noronha". "Vou sumir". "Não vou apoiar ninguém". "Ninguém???", perguntavam alguns, quase horrorizados. "Ninguém. Vou dar uma de PSOL", brinquei.

 

E de fato não vou apoiar nenhum dos dois candidatos.

 

[Continua...]



Escrito por Soninha às 14h50
[] [envie esta mensagem] []



O segundo turno - Cap. 4

(Continuação do post abaixo)

 

Vou ter de pular algumas partes, senão esta história não termina nunca.

 

Em 2005, fui chamada para uma reunião com a ex-prefeita. Pauta: "Discutir nossas ações de oposição em São Paulo". Eu fui, claro. Quando cheguei, a reunião já tinha começado.

 

Na verdade, estava-se discutindo a estratégia de campanha da Marta nas prévias para definir o candidato do PT ao governo do estado. Várias pessoas sugeriam argumentos a serem usados contra Mercadante, o outro pré-candidato. "Ele não tem experiência administrativa" era o mais básico deles.

 

Fiquei passada. Eu tinha decidido me manter neutra nas prévias, mas a verdade é que preferia a candidatura do Mercadante - só não ia me manifestar, porque essas disputas internas freqüentemente terminam em fratricídio.

 

Pedi licença e saí antes da reunião terminar.

 

***

Alguns dias depois, Marta me chamou para conversar com mais calma. "Quero saber como você vai participar da minha campanha".

 

"Eu não quero me envolver... Não gosto de entrar nessas disputas internas. Vou apoiar o escolhido pela maioria, pronto".

 

"Mas se você não me ajudar, estará ajudando o Mercadante!".

 

"Bom, eu acho que ele pode ser um bom candidato".

 

Discutimos feio. Ela não se conformava. Sentiu-se traída - e, felizmente, disse isso na mesma hora (prefiro assim).

 

"Por que você não me apóia?". "Embora a gente tenha muitas coisas em comum, como a defesa de algumas bandeiras consideradas "polêmicas", e o fato de termos passado pela mídia, eu discordo muito do modo de agir de algumas pessoas muito próximas a você. O jeito de fazer política é completamente diferente do meu".

 

"Quem?

 

"O Antonio Carlos Rodrigues, por exemplo".

 

"Ele é ótimo! Foi muito importante para o nosso governo".

 

"Mas o jeito dele fazer política é completamente diferente do meu! Eu não concordo com essa coisa do "apoio incondicional", da reciprocidade absoluta... "

 

***

Alexandre Youssef, ainda meu chefe-de-gabinete àquela altura, ficou preocupadíssimo com minhas relações no partido. "Alê, o Mercadante também é do partido! O que adianta a gente ter um processo democrático de escolha do candidato se for "proibido" de fazer escolhas?". "Mas a Marta te ajudou, te apoiou...". "Eu não posso querer que ela seja a candidata do PT ao governo do estado porque "me ajudou"! Eu tenho de ter o direito de escolher o Mercadante". "Mas você ia ficar neutra!". "Ia, mas eu tive de assumir uma posição porque a Marta estava me convocando para a campanha dela. Não vou fazer campanha para o Mercadante, mas não podia deixar de dizer a verdade - que ela não é minha candidata".

 

Lembrando disso agora, dá uma sensação de déja-vu...

 

[E continua!]



Escrito por Soninha às 13h30
[] [envie esta mensagem] []



O segundo turno - Cap. 3

(Continuação do post abaixo)

 

Ao longo dos meses e anos, fui ficando cada vez mais desconfortável na Casa. Ao mesmo tempo em que me orgulhava do fato de o PT se comportar como bancada, fazer reuniões toda semana, analisar profundamente os projetos em pauta, não me conformava com duas coisas: 1) Várias vezes, a assessoria da bancada, super qualificada, avaliou um projeto do Executivo como "muito bom" - "Aliás, nos iríamos propor alguma coisa nesse teor também, caso tivéssemos vencido a eleição". Ou: "Porto Alegre fez lei parecida, Santo André também" (em prefeituras petistas). Aí vinha o "encaminhamento da estratégia política": "Vamos obstruir. Esgotados os mecanismos de obstrução, vamos votar contra". 2) Às vezes, depois de muita discussão, o PT chegava a uma posição favorável à votação de um projeto. "Mas agora precisamos ver se o Centrão concorda com esse encaminhamento".

 

Eu ficava doida da vida em um caso e outro. "Se o projeto é bom, por que vamos obstruir?". Um desses casos era o projeto que criava mecanismos para combater a sonegação de ISS. "É que os tucanos só pensam em eleição. A obsessão deles é eleger o Serra presidente em 2006, então querem aumentar a arrecadação para ter caixa em ano eleitoral. Nós não podemos permitir isso".

 

(E agora o PT vem dizer que a prefeitura "nada em dinheiro" graças à política econômica do governo Lula... Se dependesse da bancada do PT em São Paulo, a arrecadação teria aumentado muito menos. Foram várias obras de engenharia financeira - nisso os tucanos são bons - que trouxeram a prefeitura de volta para o azul, porque receberam o caixa escandalosamente no vermelho. Eu gosto do vermelho, mas não esse).

 

E não me conformava com a necessidade desse aval do Centrão. "Nós temos 13 vereadores. O PSDB tem 13 e mais alguns da base do governo. Se achamos que o projeto é bom exceto por um ou outro ponto, por que não negociamos essas alterações com o governo como condição para o aprovarmos?". "Ah, os tucanos não vão querer mudar nada... Precisamos do Centrão para resistir ao governo". "Resistir? É claro que o Centrão será governista assim que suas reivindicações forem atendidas, e aí o projeto vai passar do jeito que estiver, com ou sem alterações".

 

"Soninha, você não entende... Nós precisamos do Centrão para fazer a defesa do governo Marta e impor uma derrota aos tucanos".

 

Foi dose. Meses e meses de irritação, desgosto. Eu saía das reuniões da bancada, contava aos meus assessores o que tinha acontecido, eles não se conformavam.

 

***

Eu não era a única a espernear.

 

Houve uma ocasião, por exemplo, em que a liderança da bancada do PT propôs uma emenda ao um projeto de lei "reduzindo, em 4 anos, todas as alíquotas de ISS a 2%" (que é o mínimo permitido).

 

"Os tucanos puseram o rótulo de Martaxa e prometeram reduzir impostos. Então quero ver!"

 

Uma parte da bancada protestou:

 

"Olha, eu espero que um dia o PT volte à prefeitura... Com esse corte no ISS, a arrecadação vai diminuir muito, São Paulo fica ingovernável!".

 

"Ora, o prefeito que vete o projeto - e fique com o ônus de ter sido contra uma redução de impostos", disse o autor da emenda.

 

Outros continuaram discordando da idéia. "Olha, eu sou de esquerda, eu gosto de imposto... A gente tem de arrecadar para fazer investimentos, para fazer política social...". Outro disse: "A gente tem de usar mecanismo da redução de impostos com muito critério, como incentivo a determinadas atividades, por exemplo. Se você reduz o imposto de todo mundo, perde essa possibilidade e ainda incentiva setores que não precisam, não merecem ou não interessam tanto do ponto de vista da coletividade".

 

Eu concordava com eles todos, mas muitos insistiram na aprovação da emenda. Até que o Arselino Tatto, o último a se manifestar, desempatou a disputa: "Projeto ruim, demagógico, sou contra". Ufa.

 

***

Mas continuávamos "casados" com o Centrão. Durante o governo Marta, a aliança era em nome da "governabilidade", para poder aprovar os projetos que interessavam à cidade - aos quais o PSDB fazia oposição fanática, jogando o governo nos braços da direita... E agora fazíamos a mesma coisa?

 

O pretexto era a "defesa do governo Marta". "Que defesa?". "Ora, Soninha, os tucanos vão querer nos atacar de toda maneira, propondo CPIs oportunistas, como aquela do túnel... Reprovando as contas da prefeita... Precisamos do Centrão para barrar essas tentativas".

 

"Mas o Centrão vai acabar passando para o lado do governo!!!".

 

"Tsc, tsc". Meus colegas abanavam a cabeça, chegando à conclusão de que eu não tinha mesmo jeito para a política.

 

[Continua...]



Escrito por Soninha às 13h13
[] [envie esta mensagem] []



O segundo turno – Cap. 2

(Continuação do post abaixo)

 

A essa altura, eu sei, todo mundo já leu nos jornais qual é o fim da novela. Muito mal contada, é verdade, mas já volto a isso. Agora vou conitnuar relembrando a história toda assim mesmo - de como saí do PT depois dele ter sido meu partido a vida toda.

 

O capítulo anterior terminou no ponto em que eu comecei a conviver com a bancada do PT na Câmara Municipal.

 

Um dos primeiros contatos que tive foi com um vereador que me chamou para explicar um pouco como as coisas funcionavam por aqui. Em conversa informal na sala dele, me descreveu alguns colegas. "Fulano é um barato. Se você fechar com ele por 100, não adianta vir alguém oferecer 200 - ele tá fechado com você e acabou, não tem conversa".

 

Fiquei morrendo de medo de perguntar se aquilo era só modo de dizer ou a descrição de uma situação real. Ele parecia se divertir com o personagem - que estava mais para "inimigo histórico" do que "um barato", mas enfim...

 

Seguiram-se outras descrições: "Aquele disse que ia votar em um candidato à Presidência da Mesa e, no dia seguinte, votou em outro. Virou um pária na Casa. Não aprova mais nem nome de rua. O que não se suporta aqui é traição".

 

Como assim, "virou um pária"? "Não aprova nem nome de rua"?. Então é assim que funciona - o projeto é aprovado se o vereador estiver bem na fita com os colegas? E se ele tivesse algum projeto bom? Os outros vereadores todos concordaram com esse "banimento" do "pária"?

 

Outra informação: "Fulano, você conhece?, é bispo. Mas se você pagar, ele aprova até a liberação da maconha". E o vereador ria, se divertia.

 

Saí da sala dele arrasada. Pensando: "Será que as pessoas que diziam que eu não devia me meter neste mundo tinham razão? Será que é uma panela da qual todos fazem parte, de um jeito ou de outro?"

 

***
Pouco tempo depois, fui convidada para uma reunião das bancadas do PT - a de 2004 e a que tomaria posse em 2005 - para discutir alguns posicionamentos na passagem do governo Marta para o Serra.